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sábado, 7 de abril de 2007

nostalgia

Nós sentamos naquele banco molhado e rimos dos guarda-chuvas andantes que passavam por baixo da ponte. Não nos importava que chovesse, não usávamos capas ou sombrinhas; pelo contrário, gostávamos da chuva, e nela, rimos. Ríamos até da tristeza amena e fria que ela nos causava ao tocar o asfalto frio e do efeito luminoso das gotas que passavam em frente aos postes. "Parecem estrelas cadentes", você disse baixinho, lutando para ser ouvida em meio a tantos sons miscigenados (e alguns que nós mesmos fazíamos pra desfazer o nervosismo e a atmosfera de romance).
Tentamos tudo que era possível para ignorarmos-nos; tentativas frustradas, já que éramos jovens demais e fracos demais. Você, impaciente, mordia seus lábios ou tentava conter gotas de chuva em sua boca, enquanto eu pateticamente tentava manter meu jornal seco (aquele que comprei pensando em ler, mas que você transformou em peso morto e origami).
Era impressionante como conseguíamos ser livres e sozinhos envoltos em tanta gente. Nunca consegui lembrar dos nomes dos poucos amigos que você me apresentava (talvez pelo álcool ou pela minha inaptidão inata para decorar nomes compostos, por menores que fossem). Mesmo assim, nunca esqueci um rosto, uma ação. Muito menos o dia que aquele seu amigo magro e baixo cantou Boys Don't Cry no karaokê enquanto fazíamos a coreografia no fundo.
Tentava me desfazer dos impactos que a realidade me dava ao voltar de uma lembrança. A verdade é que eu queria reviver aquilo tudo do jeito que foi. Lembro ainda das noites que passei em sua casa de um quarto só. Você não sabe, mas eu falava em seu ouvido enquanto você dormia. Dizia que te amava muito e que sempre te buscaria, não importava onde. Depois, de manhã, você acordava e olhava pra mim com aquele seu olhar carinhoso e sonolento.
Foi quase um assassinato dizer, vendo aqueles olhos brilhantes e molhados de chuva, que meu barco saía naquele momento. Porque você deve saber, não gosto muito de dizer adeus. Então, simplesmente peguei suas mãos e as apertei bem forte nas minhas. E agora só restava dizer-te adeus de longe, dizer-te sem dizer-te, apenas num aceno amortecido pela névoa.
Então, li o cartão que deixou no bolso do meu paletó e que achei, por acidente, enquanto procurava por meu bilhete de viagem, com seus lábios impressos e o perfume de sua nuca macia. Ao acabar, rasguei-o e joguei ao vento junto com meu coração e quase acreditei que poderia te ver mais uma vez.

1 comentários:

Blogger Juliana disse...

oown
o final ficou super! :}

beijo, luiz carlos.
[deve tá em niterói já]
^^

8 de abril de 2007 15:50  

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